as suas roupas estão sujas,
o seu rosto está cansado,
a loucura quase corrompeu um coração,
como enxergo tanta nobreza num farrapo de homem?
vens da guerra?, ou de uma catastrofe? ou de uma punhalada da vida?
estranha fome, estranha necessidade dos extremos,
de onde você vens estranho homem?
com suas mãos feridas, com seu coração tão nobre?
de onde você vem com seus passos perdidos e certos,
procurando abrigo, repouso...
quantas histórias poderas contar-me,
quantos dragões sucumbiram em seu caminho,
ou serás só mais um miserável, em que meu coração piedoso demais, insiste em enchergar beleza?
onde encontraste essas verdades que brotam em forma de desprezo e tristeza dos seus olhos,
onde estão os teus e porque te farrapaste tanto na vida?,
diga-me estranho mendigo, diga-me estranho guerreiro...
mas seus olhos parecem tão morbidos, que eu só não te acudo,
para não lhe ferir essa estranha dignidade,
"eu preciso do inferno e do céu,
vez ou outra vou roubar uma verdade do demônio,
volto pra casa sujo do barro podre do mundo,
e me contento por não ser tão limpo, por não ser
tão certo, tão morno, e tão falso,
caminho como um homem genuino, como tal só os primeiro da especie,
e desfilo meu cansaço e minha perdição e minha embriagues e meu soluço e minha vontade de um longo repouso, de uma tregua de descansar a minha mente do inferno caótico de minhas idéias, sou o guerreiro sujo, que caminha por ruas nobres e vielas, que vai do inferno aos céus sem encontrar amigos, encontrando só verdades pesadas para serem carregadas,
digas amigo, se tens pra mim remédio e repouso?
se não arranca-te do meu caminho,
segue para tua mornidade, segue para teu berço froxo e seguro,
deixa-me que eu sigo com meu manto pesado, com minhas mãos feridas, com meu corpo sujo, com meu coração nobre, tosco e belo.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
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