segunda-feira, 13 de outubro de 2008

o roubo do caixão

é que essa noite quente de primavera tava fria e vazia de mais...
talvez eu fique acordado a noite inteira numa tentativa insensata e frustrada de evitar que o outro dia chegue com todas suas obrigações, com todos os meus planos de ações e metas que não farão sentir-me menos vazio.
e é triste saber que não ha nada nessa noite que me cure..., nada que agora faça-me instantaneamente recuperar a fé num futuro...
por que é isso o que me alimenta nesse presente infrutífero e vázio, olhar o tempo e enchergar alem do que posso ver...
ter fé...
ter fé...
vou para o galo!, pesso o meu azeitonado de sempre e a velha e falha cerveja, a saboreio lentamente apreciando zangado e deprimido o noticiario com sua fartura de noticias trágicas, cômicas e despreziveis.
o outro dia chegará e eu terei que ser forte.
não haverá braços que me alimentem no meio da noite,
o mundo anda meio louco e eu meio desencontrado com tudo e com todos.
como a pulso o meu azeitonado, bebo a pulso a cerveja que me concede um leve auto escapar, encontro aos sustos uma quase imagem de alguem,
mas não há ninguém...
não há ninguém!!!
engulo apressado, louco, tento na azeitona, no queijo, na maionese... tento...
más essa vontade de prazer é o que há de menos nobre na minha solidão.
o que eu faço com a minha sobra de amor?
o que eu faço com a minha vontade de sinseridade?
o que eu faço com o meu desespero em noites como essa?
não há nada que eu possa comprar que me faça sentir melhor, nem mesmo sexo...
quero antes um corpo quente, uma pele amiga e quente... quero antes um bem querer, e um descanso, quero antes o silencio da intimidade, a simplicidade calada da verdade.
mas a minha volta o mundo é todo excesso e todo falta, a tantas formas e tantos nadas...
me afogo em minha sede...
tenho falta de ar, e por alguns instantes penso que não vou conseguir...
já comi a metade do meu azeitonado... a outra metade me espera fria e pálida, mas bem intencionada.
e na tv uma jovem de dezenove anos tomou veneno, a reportagem ta preocupada com a tentativa de roubo do caixão, enquanto o corpo belo e quase apodrecido da jovem descansa de bruços a meio caminho da calçada, mas eu tomo mais um gole de cerveja, o ultimo pedaço de lanche que engoli tinha um gosto de morte! queria mesmo era te-la salvado, queria mesmo era ter me salvado, mas não deu... estamos perdidos...
desisto! é mesmo muito lanche... e toda essas histórias de esfaqueamento, tiro ,morte... tudo isso me fez perder o desejo pelo catchup, me deu vontade de veneno e já são duas e vinte, tenho pouco tempo antes que me peçam respostas. e sempre pedem respostas, a todo hora voce tem que dar respostas, e voce tem que ter as respostas...
vou ao banheiro, hormonio antidiurético, sei lá , alguma coisa assim, até a urina não tem cor, sem expressão, surge como uma virgula, um tempo, uma necessidade idiota, mas no banheiro tem um espelho, que má sorte a minha, inevitavelmente olho, vejo olhos , tolos e bons, são como uma oraçao muda, ou um pedido de socorro, me sinto patetico e tenho vergonha, não gritarei!, não gritarei enquanto sangro, a menina está com frio, o veneno lhe causou dores terriveis abdominais, ela vomita e não sabe se o arrependimento é da morte ou do nascimento, mas eu não gritarei, será que alguem quer usar o banheiro?, dou descarga, os olhos permaneceram no espelhos olhos bons, perdidos, patéticos,
vou para minha mesa o resto de azeitonado me ascena frio e impassiente, o galo vem em minha direção me pergunta qualquer coisa, eu digo que não e ele recolhe os restos do corpo, o noticiario acabou, alguem recolhe com algum carrinho gelado e escuro os restos de uma flor, encontrarão outro vaso?, não nascerá nada!, vou pra casa, vou dormir, amanhã serei forte de novo, talvez a fé até volte, mas eu vou seguir... queria te-la salvado! queria ter me salvado!

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