
quantas vezes andei em circulos,
quantas vezes desesperado constatei que estava novamente no mesmo lugar,
olhei o meu corpo marcado, minhas vestes rasgadas, e minhas mãos fortalecidas pelos dias.
e fiquei triste, ajoelho com minha face encurvada para o abismo,
quase louco constato que não há um outro caminho, não há como contornar essa parte escura e fria da minha alma,
se ainda eu tivesse asas,
se ainda eu fosse criança...
precisei decidir, seguir ou ficar ali..., parado, vencido....
ou forjar uma normalidade (nunca!), ou correr em busca de um entorpecer profundo e salvador, me contentar em ser devorado lenta e continuamente pelas sábias garras do tempo, deixando que a vida me leve, eu, como apenas mais um, esboço terrível de homem, mais um rascunho mal feito.
na indecisão andei tanto por ai, virei por todos os lados, provei de tantas sabedorias inúteis, procurei por espelhos falços insanamente tentando enganar a visão, amei a Deus e o matei por sete vezes, chorei sobre seu túmulo e adotei uma criança, ignorei o riso e o choro que vinha da noite escura. e continuei louco, achando que daria a volta em mim mesmo.
mas aqui estou, nessa estranha primavera, meus olhos fitam o infinito inesperado do meu ser, o abismo é louco e sereno nessa época do ano, sinto um certo medo, mas é como se encontrasse um irmão mais velho que não conheci...
não há outra saída, vim longe demais para querer voltar, sem perceber apostei todas as fichas... em mim mesmo.
é tão tênue a linha que separa um gênio de um miserável fracassado... de que lado estarei daqui a algum tempo?
não sei...
mas peço licensa a vocês, todos os que eu amo inevitavelmente, e também aos que têem a honra de serem odiados por mim,
peço licensa porque vou mergulhar agora, e pode ser que eu não volte, ou pode ser que eu acorde um monstro, ou pode ser que com asas de fogo eu renasça como um passaro para finalmente seguir meu caminho, tendo encontrado em meu abismo a cura e a vitória sobre meus demônios.
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